ANESTESIA DO SENSO CRÍTICO

“O ridículo, ou o cômico, é aquilo que envolve grande variedade de sentimentos que se apresentam como humorístico, irônico, grotesco, satírico, etc.

Alguns filósofos consideraram a natureza do ridículo:

Platão fazia consisti-lo no orgulho produzido pela percepção imprevista da nossa superioridade;

Aristóteles dizia ser ridículo aquilo a que falta proporção, que contém um contraste;

Kant, no resultado nulo imprevisto de uma grande expectativa;

Schopenhauer, no desacordo subitamente advertido entre um conceito e os objetos reais que ele sugere.

A opinião de Aristóteles, no entanto, é a mais correta, pois, que é o ridículo senão a relação destruída entre as coisas, a desproporção. Aliás, esta é a causa do riso.

O riso, geralmente, provém da leviandade. Aquele que ri muito,  é leviano ou se faz leviano acidentalmente, por necessidade ou por circunstância.

Rir é indício de parar-se, deter-se na superfície da coisa de que se fala; de considerá-la superficialmente, e por causa disso, achá-la extravagante: daí surge o riso. Se se aprofunda um pouco mais, certamente o que se haveria de encontrar seria outra coisa, em vez do riso.

A loucura é horrível, e, no entanto, pode fazer rir, mas este riso não é de alegria. Pode fazer rir porque quebra a relação e reúne idéias que entre si não se ajustam. Um homem ébrio, apesar do desgosto que inspira, pode incitar o riso, porque perdeu o sentimento da relação. A familiaridade excessiva, a expressão excessiva do respeito,  os absurdos do sonho ou da embriaguez, todas as violações da relação podem provocar o riso.

Isso significa que a relação é coisa séria. A relação é íntima, profunda: quem sabe o lugar que ocupa na ordem universal?
Aquele que a rompe talvez desfaça o mundo, quebre a hierarquia: o riso tem um ar de um estalido de alegria lançado por alguém sobre um mundo destruído, uma hierarquia desfeita.”

(grifos nossos)

( Texto de Paulo Barbosa, prof. de Filosofia.)

Opinião da Ultra Direita em Marcha

A UDM vê com reservas a combinação de  notícia grave, importante ou séria, com o humor. Seja um comentário, sejam imagens ( como charges, p. ex.); sob nosso ponto de vista, fazer humor de um fato grave, trágico, fatal, desonesto, imoral ou ilegal impede ou dilui  a capacidade  da pessoa  (ouvinte, leitor ou espectador) de indignar-se, de avaliar  corretamente o caso e consequentemente de reagir de modo adequado,  justo ou legal. Daí nossa preferência pela definição de Kant: resultado nulo imprevisto de uma grande expectativa. Ou seja, o mesmo que expor um fato grave, sério, trágico, fatal,  desonesto ou imoral e imediatamente anulá-lo, representando-o, sinteticamente, com uma piada, charge ou comentário  engraçado; é o mesmo que dizer: não liguem, isso não é importante, o importante é rir e achar graça de tudo, inclusive da tragédia e da nossa própria desgraça. 

Por exemplo: quantas vezes, assistindo a noticiários, o apresentador diz: – “No próximo bloco, o assassinato de uma família inteira, degolada no interior de Goiás,……. e a final do Brasileirão!”; ou:  -“Após os comerciais, o ataque nuclear do Irã a Israel, que destruiu Tel Aviv, com centenas de milhares de mortos, e a entrevista com o ex-BBB, travesti Fulano”….

Ora, já vemos diariamente, em qualquer noticiário, a mistura  de notícias graves –  como o mensalão – ,  desastres, assaltos, guerras e assassinatos, obrigatoriamente com o futebol. 

Ao  nosso  ver, essa combinação anestesia o espectador, passa a ele uma mensagem subliminar de que as notícias graves não são tão graves assim, na realidade atrapalham as mais “importantes”, como o futebol, ou as últimas novidades em modas, sapatos ou maquiagem ou a última música imoral e chula do cantor Beltrano. Esse formato de noticiário não dá tempo ao espectador de processar, meditar, reagir ou comentar com os  seus próximos sobre a notícia realmente importante, que vai afetar sua vida, como o crime, o roubo de verba pública, a guerra ou a caminhada da América Latina a passos largos em direção ao comunismo, já pré-instalado em vários países, incluído o Brasil, e em fase final de consolidação.

Dois fatos concretos: quando o Papa João Paulo II sofreu um atentado que por pouco não  o matou, no dia seguinte saiu uma charge n’ O Globo; quando ele morreu, no dia seguinte, outra charge, retratando-o com asinhas e subindo ao céu. Alguém faria isso com o próprio pai? Se seu pai, ou filho, sofresse um ataque, você acharia graça em uma piada sobre o assunto? Admitiria uma comentário jocoso no velório de sua própria mãe?

A UDM propõe, em consequência, a abolição de toda e qualquer piada, charge, brincadeiras ou “gozação” nas publicações que se propõem como sérias, educativas ou de alerta à sociedade.  Devemos eliminar de nossas informações ao público as amenidades, as observações ou comentários a título de não o assustar,  de descontraí-lo ou  relaxá-lo; seja numa palestra de  auditório, em um panfleto ou periódico ou numa simples conversação em um grupo reunido para discutir um assunto sério, como política, crime comum ou corrupção. Senhores, estamos em guerra, a estamos perdendo e isso não é uma brincadeira.

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Sobre ultradireitaemmarcha

~Brasileiros de ultradireita, defensores da família, da propriedade privada licitamente constituída, da livre iniciativa, da economia de mercado, das tradições cristãs ocidentais, da liberdade e da responsabilidade individual na manutenção e fortalecimento da pátria e do Estado como subordinado à sociedade, não o contrário.
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