REFRESCANDO A MEMÓRIA E REPETINDO A HISTÓRIA

“Estúpido é o povo que não aprende com a experiência alheia” (Otto von Bismarck).

IMAGINE ENTÃO O QUE É O POVO QUE NÃO APRENDE COM A PRÓPRIA

CONVITE AOS MENORES DE 65 ANOS: VAMOS LER ABAIXO AS MANCHETES DE MARÇO DE 1964

COMÍCIO DA CENTRAL DO BRASIL

Ano: 1964, Março
“Uma grande multidão encheu a Praça Cristiano para ouvir o Presidente da República. A manifestação transcorreu em ordem, apenas com ligeiros incidentes, não políticos; logo abafados. O acidente mais grave aconteceu quando uma faixa pegou fogo e, em consequência do pânico, 140 pessoas se feriram. Antes de começar o comício, a explosão de uma bomba feriu sete pessoas. (…)
Cerca de cem mil pessoas ouviram, ontem, na Praça Cristiano Otoni, o Presidente João Goulart e doze outros oradores. A manifestação transcorreu em ordem, registrando-se apenas ligeiros incidentes, logo abafados. O acidente mais sério aconteceu quando uma faixa pegou fogo e se estabeleceu pânico. Sairam feridas 140 pessoas. Antes de começar o comício, a explosão de uma bomba feriu sete pessoas. (…)
Às 19h40m, foi anunciada a presença, no palanque, dos três ministros miltares, General Jair Dantas Ribeiro, do Exército, Brigadeiro Anisio Botelho, da Aeronáutica, e Almirante Sílcio Mota, da Marinha. Na oportunidade, também foi feita alusão ao Almirante Cândido Aragão, comandante do Corpo de Fuzileiros Navais.
Às 19h44m, chegava ao palanque o Presidente João Goulart, acompanhado em primeiro plano do Sr. Eugênio Caillard, seu secretário particular. No momento em que o Sr. João Goulart subiu ao palanque, discursava o Deputado Doutel de Andrade, em nome do PTB, criticando o capitalismo, e prometendo irrestrito apoio ao Presidente e aos trabalhadores.
A Sra. Maria Teresa Goulart trajava um vestido azul-piscina, e apresentava um penteado que lhe prendia os cabelos no alto. Entrevistada pelos repórteres, afirmou que estava achando o comício “maravilhoso” e que era a favor das reformas de base. (…)
Até depois das 20 horas, quando já estava presente o Presidente Goulart, continuavam chegando delegações ao comício, ficando totalmente tomado todo o quarteirão compreendido entre o Mercado do SAPS e o Panteon Caxias, passando pela primeira pista da Avenida Presidente Vargas. No lado oposto da Praça Cistiano Otoni, a massa se comprimia entre o edifício da Central do Brasil e a ala lateral do Ministério da Guerra, até as imediações da entrada do Túnel João Ricardo. (…)
Entre as faixas empunhadas pelos manifestantes da Praça Cristiano Otoni estavam a s seguintes: “Salve O Glorioso CGT”, “Reconhecimento da China Popular”, “PCB, Teus Direitos São Sagrados”, “Viva O PCB”, “Encampação de Capuava”, “Abaixo Com As Companhias Estrangeiras”, além de várias outras de saudação ao Presidente João Goulart. Outras diziam: “Jango Em 65 – Presidente da República: Trabalhadores Querem Armas Para Defender O Seu Governo”. “Sexta Feira, 13, Mas Não É De Agosto”, “Brizola 65 – Solução Do Povo”, “Jango – Abaixo Com Os Latifúndios E Os Trustes”, “Jango – Defenderemos As Reformas A Bala”. (…)
O Prof. Darci Ribeiro, chefe do Gabinete Civil da Presidência da república, por três vezes chegou-se ao Presidente João Goulart, quando este discursava, falando qualquer coisa a seu ouvido. Quase imediatamente o Sr. João Goulart passava a abordar outro assunto ainda não ventilado no discurso. O Chefe da Nação, que iniciou seu discurso lendo o que fôra preparado com antecedência, entusiasmou-se com suas palavras e passou a falar de improviso, daí os “sopros” do Sr. Darci Ribeiro, para que nada ficasse esquecido.
D. Maria Teresa chegou sorrindo ao palanque, ficando séria logo após. A cada pedido dos fotógrafos, ela sorria novamente. Quando começaram a soltar fogos de artifício, ela preocupou-se e passou a olhar para os lados e para trás. Durante os 66 minutos do discurso presidencial, permaneceu ao lado do Sr. João Goulart, passando-lhe, a cada momento, o copo d’água gelada. (…)
Terminado o comício, o Presidente João Goulart estava visivelmente exausto. Mal entrou no carro que o conduziria ao Palácio das Laranjeiras, recostou-se no colo de D. Maria Teresa, que lhe acariciou carinhosamente os cabelos.” O Globo, 14 de março de 1964.
“Cerca de duzentas mil pessoas tomaram parte na concentração realizada ontem, na Praça da República, em favor das reformas. Desde as 15 horas, era acentuado o movimento de populares a caminho do local do comício, pelas ruas centrais da cidade. A manifestação teve início às 18 horas, quando foi lida a mensagem do povo e autoridades municipais de Porto Alegre, em nome de todo o Rio Grande do Sul, saudando o Presidente João Goulart e os líderes populares pela sua atuação em favor das reformas. A essa altura dos acontecimentos, já se encontravam no palanque várias autoridades, entre as quais os senhores Darcy Ribeiro, Chefe da Casa Civil da Presidência da República, o Marechal Osvino Ferreira Alves, Presidente da Petrobrás, o Ministro Júlio Sambaqui, da Pasta da Educação e o Governador Seixas Dória, de Sergipe. (…)
Antes de ser apresentado o terceiro orador, deputado Sérgio Magalhães, foi anunciado ao povo que o Presidente da República acabara de assinar, no Palácio das Laranjeiras, o Decreto da SUPRA, desapropriando as terras existentes num raio de dez quilômetros dos eixos das rodovias e ferrovias federais, além das terras beneficiadas ou recuperadas por investimentos exclusivos da União em obras de irrigação, drenagem e açudagem.
Logo após ser ouvida a palavra do Governador Miguel Arraes, foi anunciada a assinatura do decreto de encampação das refinarias particulares, como as de Capuava, Manguinhos, Matarazzo e outras. (…)
Às 19 horas e 50 minutos, foi anunciada a chegada do Presidente João Goulart, juntamente com a primeira dama do País, Sra. Maria Teresa Goulart.
Afirmando ao povo que “a hora é das reformas, pois as atuais estruturas ultrapassadas não mais poderão realizar o milagre da salvação nacional de milhões de brasileiros”, o Presidente João Goulart pronunciou incisivo discurso no “Comício Pró Reformas de Base”. Continuando, o Sr. João Goulart disse que “Só conquistaremos a paz social, através à justiça social. A maioria dos brasileiros não se conforma com a ordem social vigente, imperfeita, injusta e desumana. Esse é o motivo que me leva a lutar pelas reformas, de estruturas, de métodos, de estilos, de trabalho, e de objetivos, pois não é possível progredir sem reformas.” (…)” A Noite, 14 de março de 1964.
“Transformou-se numa autêntica festa popular, o comício ontem realizado na Praça Cistiano Ottoni. Ao encontro do presidente da República, uma incalculável multidão deslocou-se desde as primeiras horas da tarde, entoando cantos e trazendo faixas e cartazes, alusivos às suas reivindicações e indicativos do apoio com que pode contar o presidente Goulart nas medidas que vem tomando na defesa dos interesses nacionais.
O entusiasmo que recebia as palavras dos líderes políticos, sindicais e estudantis mostrou uma firme determinação do povo de lutar unido e coeso pela implantação das reformas fundamentais de que o Brasil necessita para a consolidação do seu desenvolvimento. Foi uma evidência, na repercussão que teve nos aplausos da grande massa popular, o sentimento da necessidade de uma efetiva e urgente modificação que reformule o arcaico estatuto da terra ainda vigente entre nós.
Pacífica e ordeiramente, o povo compareceu ao diálogo democrático com o presidente da República e disse-lhe, pela voz dos seus líderes autênticos e pala eloqüência dos seus cartazes e faixas, o que o povo deseja que seja feito para o bem da Nação.
Foi portanto o comício de ontem, uma extraordinária demonstração de pujança do regime democrático, com o povo brasileiro unido ao seu presidente na praça pública, em festivo ato de pleno exercício da Democracia.” Diário Carioca, 14 de março de 1964.
“O Presidente João Goulart, depois de assinar, no Palácio das Laranjeiras, o decreto da Supra – o passo inicial para a reforma agrária – e o da encampação de refinarias particulares de petróleo, anunciou ontem no comício da Central do Brasil o tabelamento, dentro de horas, dos aluguéis, e prometeu lutar pela reforma da Constituição, a fim de promover o “desenvolvimento do País com justiça social”.
– Nenhuma força será capaz de impedir que o Governo continue a assegurar absoluta liberdade ao povo brasileiro. E para isso podemos declarar, com orgulho, que contamos com a compreensão e o patriotismo das bravas e gloriosas Forças Armadas – disse o Sr. João Goulart em seu discurso na Praça Cristiano Otôni, à noite, perante multidão calculada em 130 mil pessoas e ao lado de sua espôsa Sra. Maria Teresa.
Durante o meeting, cuja ordem foi garantida pela maior demonstração de fôrça bélica já vista em atos dessa natureza, esboçou-se um momento de protesto, com a colocação de velas acessas nas janelas dos apartamentos da Praia do Flamengo, onde reside, o Governador Carlos Lacerda. A sugestão dêsse protesto mudo foi dada através de telefonemas anônimos, mas o movimento restringiu-se a apenas trinta apartamentos.
Também falaram ao povo, no comício, os Srs. Miguel Arrais e Leonel Brizola – este o orador mais aplaudido. O ex-Governador gaúcho pregou a necessidade de uma saída pacífica para “este impasse a que chegamos”, sugerindo “uma Constituinte para a eleição de um Congresso popular, um Congresso onde se encontrem trabalhadores e camponeses, onde se encontrem muitos sargentos e oficiais nacionalistas”.
Em Brasília, os líderes oposicionistas Bilac Pinto e Pedro Aleixo consideraram subversivas e violadoras da lei as palavras do Sr. Leonel Brizola, estranhando que os Ministros militares, presentes ao palanque da Praça Cristiano Otôni não o houvessem preso em flagrante. O Sr. João Goulart considerou “bom” o discurso do ex-Governador gaúcho. (…)” Jornal do Brasil, 14 de março de 1964.
“Falando a uma multidão de centenas de milhares de pessoas, no palanque diante do qual se viam as fôrças militares, montando guarda ao povo, que conduzia cartazes exigindo sobretudo as reformas e a legalidade do PC, havendo inclusive o foice e o martelo, o presidente João Goulart afirmou que “os milhões de brasileiros que nada têm se impacientam com a demora já agora insuportável, em receber os dividendos de um progresso também construído pelos mais humildes”.
Depois de salientar que ali estavam trabalhadores, “vencendo uma campanha de terror ideológico e sabotagem, cuidadosamente organizada para impedir ou perturbar a realização do comício”, disse que, dentro de associações de cúpula, de classes convervadoras, “levantou-se voz contra o presidente pelo crime de defender o povo contra os que o exploram nas ruas, em seus lares, movidos pela ganância”.
Passou, em seguida, a pregar a reforma da Constituição que tachou de “inadequada, porque legaliza uma estrutura sócio-econômica já superada, injusta e desumana”. Ao anunciar que acabava de subscrever o decreto da SUPRA, declarou que “ele não é a reforma agrária pela qual lutamos, ainda não é a carta de alforria do camponês abandonado”, acrescentando que “reforma agrária com pagamento prévio do latifúndio improdutivo, à vista e em dinheiro, não é reforma agrária, é negócio agrário, que interessa apenas ao latifundiário”.
Voltando a atacar a Carta Magna, fisou que “em todos os países civilizados do mundo já foi suprimida do texto constitucional, a parte que obriga, na desapropriação por interêsse social, o pagamento em dinheiro”. Revelou, ainda, o Sr. João Goulart que vai promover “rigorosa e implacável fiscalização dos exploradores” e advertiu: “Aquêles que desrespeitam a lei, explorando o povo – não interessa o tamanho de sua fortuna, nem o tamanho de seu poder, esteja êle em Olaria ou na rua do Acre – hão de responder perante a lei, pelo seu crime”. Atacou a Associação Comercial e, ao concluir, disse que os funcionários públicos, médicos e engenheiros terão atendido suas reivindicações. (…)” Diário de Notícias, 14 de março de 1964.
“Guerra civil, fechamento do Congresso, constituinte e até implantação da socialização crescente da economia do País foram os elementos essenciais utilizados pelos oradores do comício de ontem pelas reformas de base, do presidente João Goulart ao deputado Leonel Brizola; do presidente da SUPRA ao representante do CGT. O Sr. João Goulart antecipou o quadro de rovolução civil, ao creditar àqueles que se opõem às reformas um possível derramamento de sangue no País.
O deputado Leonel Brizola pediu o fechamento do Congresso, seguido de constituinte e de plebiscito para as reformas de base que o parlamento não terá votado ao cabo da atual legislatura. O Sr. Miguel Arrais enfatizou o aspecto “altamente significativo” da encampação das refinarias de petróleo. E os demais oradores detiveram-se, entre as reformas e a revolução. (…)
“Falando à Tribuna logo após o comício da Central, o governador Carlos Lacerda acusou o Sr. João Goulart de ter, desta vez, furado a barreira da Constituição, e conclamou o Congresso a “levantar-se e defender o que resta da liberdade e da paz neste País”.
– O comício – declarou o Sr. Carlos Lacerda – foi um assalto à Constituição, ao bolso e à honra do povo. O discurso do Sr. João Goulart é subversivo e provocador, além de estúpido. O pavor de perder o contrôle sobre as negociatas e escândalos de toda a ordem, que abafa com a sua autoridade presidencial, fê-lo perder a cabeça. Esse homem já não sabe o que faz. (…)” Tribuna da Imprensa, 14 de maio de 1964.
AS MANCHETES

Concentração Servirá De Senda Para Invasão De Terras –
Comício Inicia Agitação –
1) Lavradores Mobilizados Para Invasões De Fazendas
2) Rebeliões Marcadas Para Eclodir Após Concentração
3) Conselho De Segurança Faz Levantamento Da Situação
O Comício Contra A Guanabara (Tribuna da Imprensa)

1) O Discurso Do Sr. João Goulart, No Comício Da Central Do Brasil, Deixou Claro Para Os Que O Ouviram Os Seus Propósitos Espúrios De Continuísmo – Leonel Brizola Voltou A Ser Cúmplice

2) Concentração Custou Trezentos E Cinqüenta Milhões De Cruzeiros, Pagos Com Recursos Proporcionados Por Autarquias – O Instituto Do Açucar Participou Com Duzentos Milhões De Cruzeiros

3) Encampação Das Refinarias Foi Imposição De Brizola Para Comparecer À Concentração Sindical

Pedido De Emenda À Constituição Tem Fins Continuístas
Pregação Contra O Congresso Provoca A Reação Parlamentar
Atmosfera Revolucionária No Ato Da Encampação E Desapropriação (Tribuna da Imprensa)

Estado Toma Conta De Refinarias E Vai A Latifúndios
Constituição Não Serve Mais (Diário de Notícias)

Goulart Decreta A Desapropriação De Terras, Encampa Refinarias E Pede Nova Constituição (Jornal do Brasil)

Treze Oradores Falaram No Comício Das Reformas (O Globo)

No Comício De Ontem Na Central Do Brasil O Presidente Formula O Seu Programa: Progresso Com Justiça e Desenvolvimento Com Igualdade
(A Noite)

Pacto Do Povo Com Jango: Reformas A Qualquer Preço (Diário Carioca)

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Sobre ultradireitaemmarcha

~Brasileiros de ultradireita, defensores da família, da propriedade privada licitamente constituída, da livre iniciativa, da economia de mercado, das tradições cristãs ocidentais, da liberdade e da responsabilidade individual na manutenção e fortalecimento da pátria e do Estado como subordinado à sociedade, não o contrário.
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